O frio, o medo e a solidão perpetuam as noites de um Outono precoce e irrequieto.
Vejo as folhas a cair lentamente, enquanto os velhos passeiam-se pelo jardim com os seus cachecóis aos quadrados.
Vejo ao longe o vendedor de castanhas e a algazarra que se gera em torno dele.
Sinto-me como que perdida num momento que não é o meu. Não pertenço ali, não faço parte daquele quadro idilico e pseudo-perfeito.
As noites têm sido terríveis e angustiantes, o frio, os ruídos como o ranger do soalho, o cheiro a humidade e a bafio.
Só quero voltar para casa. Só quero sentar-me no meu sofá e olhar as chamas na lareira e apreciar o seu crepitar, o seu cheiro a madeira.
Preciso do abraço da mãe, preciso de aletria e rabanadas, preciso de mantas polares e de luvas nas mãos.
Falta pouco, mais uns dias e este tormento termina. Assim espero.
Levanto-me do banco de jardim e percorro as ruas uma vez, e mais uma.
Até a noite de Natal chegar.
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